Quadro ‘Tem Solução’ mostra projetos sustentáveis que transformam o interior paulista
O que antes era considerado lixo está ganhando novas funções em projetos desenvolvidos no interior de São Paulo. As iniciativas apostam no reaproveitamento de resíduos e mostram que materiais descartados no dia a dia podem ganhar valor e ainda ajudar na redução dos impactos ambientais.
Em Penápolis, o Departamento Autônomo de Água e Esgoto (DAEP) mantém há seis anos um projeto que ensina a população a fazer compostagem, processo que transforma resíduos orgânicos- como restos de verduras, frutas e cascas de alimentos – em adubo.
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Depois da parte teórica em sala de aula, os participantes vão para a prática e aprendem um passo a passo como montar e cuidar de uma composteira.
“A ideia é transformar esse material orgânico em um adubo super nutritivo”, explica a coordenadora pedagógica Fernanda Marin Ribeiro.
Na composteira, são colocados materiais como pó de serra, folhas e resíduos orgânicos produzidos em casa. Cascas de frutas, talos de verduras e até filtros de papel com borra de café podem ser reaproveitados no processo.
Projeto transforma lixo em adubo em Penápolis
TV TEM/ Reprodução
TEM SOLUÇÃO
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Ao longo dos seis anos do projeto, mais de 1,5 mil pessoas já participaram de graça das capacitações. A iniciativa também é levada para escolas e para as casas dos moradores. Quem participa das aulas, ainda recebe uma caixa composteira para continuar o processo em casa.
“Os aterros estão ficando cada vez mais lotados pelo lixo que a gente descarta de maneira incorreta, sendo que a gente pode aproveitar, reciclar e transformar em adubo”, ressalta Cássio Cruz, um dos participantes do projeto.
Durante o processo de decomposição, a composteira produz o chorume, um líquido escuro rico em nutrientes. Há três meses, o policial civil Joaquim Soares participou da capacitação e desde então, passou a fazer a compostagem dos resíduos orgânicos.
“ Eu coleto o material, diluo em água e utilizo para regar as plantas. Desde quando comecei a compostagem, eu reduzi bastante a quantidade de lixo em casa. Cerca de 60% vai para a compostagem”, conta.
Além de diminuir a quantidade de resíduos enviados aos aterros, a prática transforma o material orgânico em um produto que pode ser utilizado no cultivo de plantas.
Policial civil participou do projeto em Penápolis e produz compostagens
TV TEM/ Reprodução
Bagaço da cana vira carvão sustentável em pesquisa da Unesp
No Laboratório de Estudos em Ciências Ambientais da Unesp de São José do Rio Preto , pesquisadores estudam uma forma de transformar o bagaço da cana-de-açúcar e a vinhaça em um tipo de carvão que pode ser utilizado no solo.
A proposta é reaproveitar esses resíduos e transformar a biomassa em um material com valor agregado, capaz de ajudar na fertilidade do solo e fornecer nutrientes de maneira gradual.
“ Trabalhamos em aplicar ele ao solo e tentar produzir um material que tenha uma liberação lenta de nutrientes e matéria orgânica. A gente já identificou no laboratório que é possível produzir o carvão com diferentes nutrientes e utilizá-lo em diferentes culturas”, explica a professora doutora da Unesp Marcia Cristina Bisinoti.
Os pesquisadores também avaliaram a aplicação do material no solo em experimentos envolvendo a germinação de sementes e o crescimento de plantas, com resultados promissores.
Outra pesquisa, realizada pela Unesp em Jaboticabal (SP), identificou a eficiência do produto como um condicionador do solo. Os testes indicaram benefícios para o desenvolvimento de culturas como milho e tomate. O material também apresentou potencial para aumentar a resistência das plantas a pragas comuns nesses cultivos.
Apesar dos resultados, a pesquisa ainda está na fase de laboratório. A expectativa é que, com o avanço dos estudos, o processo possa ser ampliado e futuramente aplicado em larga escala.
Além do potencial para a agricultura, o carvão produzido a partir do bagaço da cana pode contribuir para a redução dos impactos ambientais.
“Nós conseguimos identificar que ele conseguiu fazer o que se chama de sequestro de CO₂ da atmosfera e também, no processo de carbonização, é possível gerar energia”, afirma Marcia.
Pesquisas usam bagaço de cana como matéria-prima para outros produtos
TV TEM/ Reprodução
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Fonte: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2026/08/29/tem-solucao-do-lixo-ao-solo-residuos-viram-adubo-poderoso-e-ate-carvao-feito-do-bagaco-da-cana-no-interior-de-sp.ghtml
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